O Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), localizado em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, realizou o primeiro procedimento de crioablação utilizando o sistema ICEfx™, da Boston Scientific, fora da região metropolitana do Rio e São Paulo. Este marco aconteceu na sexta-feira, 17 de julho, em um paciente diagnosticado com câncer renal, ampliando assim as alternativas de tratamento oncológico disponíveis na instituição.
A técnica de crioablação é uma abordagem minimamente invasiva que visa destruir tumores por meio do congelamento do tecido afetado. O procedimento emprega gás argônio sob alta pressão, que é administrado através de agulhas inseridas diretamente na lesão, formando uma esfera de gelo que provoca a destruição controlada do tecido maligno. Os principais benefícios incluem a preservação dos tecidos saudáveis circundantes, um tempo de recuperação mais curto, redução da dor pós-procedimento e a capacidade de tratar tumores específicos com grande precisão. A Boston Scientific ressalta que, embora procedimentos com gás argônio já fossem realizados anteriormente no Brasil, a inovação reside no uso deste novo sistema.
Segundo informações da fabricante, o sistema ICEfx™ é capaz de auxiliar no tratamento de diversos tipos de tumores, como os que afetam rim, pulmão, fígado, osso, próstata e estruturas musculoesqueléticas. Entre suas características diferenciadoras está a função Track Ablation, que cauteriza o caminho da agulha durante sua remoção. Isso ajuda a minimizar o risco de sangramentos e reduz a possibilidade de deixar fragmentos tumorais ao longo do trajeto da punção. Além disso, a tecnologia Sculpting permite ajustar o formato e tamanho da esfera congelada conforme as especificidades anatômicas da lesão; com quatro canais independentes e suporte para até oito agulhas, o sistema oferece flexibilidade para personalizar as ablações e preservar tecidos saudáveis adjacentes.
O urologista Diego Carrão Winckler, que liderou a equipe junto aos radiologistas intervencionistas Guilherme de Araújo Gomes e Gabriel Toson, enfatiza que essa técnica é especialmente benéfica para pacientes com tumores renais menores que quatro centímetros — principalmente aqueles com condições clínicas que tornam cirurgias convencionais mais arriscadas ou inviáveis. “Nessas situações, a crioablação diminui os riscos associados à recuperação e amplia as opções terapêuticas disponíveis. Além disso, essa tecnologia pode ser eficaz em casos de outros pequenos tumores localizados em regiões difíceis de acessar, oferecendo uma alternativa segura e eficaz que pode aumentar as chances de cura”, comentou.
Guilherme de Araújo Gomes ressaltou as vantagens clínicas proporcionadas pelo congelamento. “Tratar um tumor renal por meio da crioablação é uma técnica minimamente invasiva que assegura a preservação total da função renal. O congelamento gera um efeito anestésico significativo durante o procedimento, tornando-o quase indolor. Além disso, como não são realizados cortes cirúrgicos, o risco hemorrágico é muito baixo e na maioria das vezes os pacientes podem ter alta já no dia seguinte ao tratamento”, explicou.
Gabriel Toson destacou a relevância da nova tecnologia dentro do contexto histórico médico do município. “Passo Fundo sempre foi um destaque na medicina nacional e a introdução desse tratamento por crioablação com gás argônio representa um avanço importante para o hospital. Essa técnica envolve o congelamento dos tumores através da inserção precisa de agulhas em locais estratégicos, aumentando as opções terapêuticas para casos oncológicos que frequentemente não poderiam ser tratados apenas por cirurgia”, afirmou.
Com essa implementação inovadora, o HSVP enriquece sua gama de tratamentos oncológicos minimamente invasivos disponíveis no interior do Rio Grande do Sul — área em que a diminuição do tempo interno e a preservação dos órgãos estão se tornando cada vez mais importantes na gestão hospitalar e na oferta de serviços complexos fora dos grandes centros urbanos.
Fotos Ana Paula Koenemann (HSVP)
