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  Saude  Plano de saúde sofre prejuízo milionário com esquema de “falsos coletivos”
Saude

Plano de saúde sofre prejuízo milionário com esquema de “falsos coletivos”

Diário do RecifeDiário do Recife—março 19, 20260
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A Polícia Civil deflagrou na manhã desta terça-feira (2) uma operação para desarticular um esquema de fraudes envolvendo planos de saúde empresariais. Ao todo, estão sendo cumpridos 25 mandados de busca e apreensão no Rio Grande do Sul e em outros quatro estados brasileiros. O grupo investigado é suspeito de ter causado um prejuízo de R$ 287 milhões a uma operadora de saúde, sendo R$ 1,5 milhão apenas no RS.



A operação é resultado de uma notícia-crime apresentada por uma operadora gaúcha, após uma minuciosa investigação interna que identificou o esquema e os envolvidos. A prática criminosa, conhecida como “fraude do falso coletivo”, consiste no uso de empresas de fachada para contratar planos de saúde empresariais — que são mais baratos — e revendê-los como se fossem planos individuais ou familiares.



Como funcionava o esquema

Para viabilizar a fraude, o grupo falsificava documentos, simulando vínculos empregatícios entre os beneficiários e as empresas contratantes, além de indicar falsamente que essas pessoas residiam na área de atuação da operadora. Na realidade, os beneficiários não tinham qualquer vínculo com as empresas e estavam espalhados por diversas regiões do país.



Segundo as investigações, muitos beneficiários também se beneficiavam da fraude, contratando planos mais baratos do que os oferecidos legalmente no mercado. A quadrilha lucrava com a diferença entre os valores pagos à operadora e os valores cobrados dos usuários.

Operadora atuou para romper os contratos fraudulentos

O trabalho de detecção realizado pela operadora foi essencial para interromper os contratos irregulares. A empresa também reuniu provas que permitiram a formulação da denúncia formal e agora colaboram com as autoridades policiais.

O advogado Fábio Cardoso Machado, sócio do escritório Andrade Maia Advogados, que atuou diretamente na investigação e combate à fraude, destaca a importância de ações estruturadas no setor. “Há métodos comprovadamente eficazes para a detecção e o tratamento desse tipo de ilícito, e é fundamental que as operadoras se estruturem para investigar e denunciar as quadrilhas”, afirma Machado.

Ele ressalta que uma atuação eficiente não apenas possibilita a rescisão legítima dos contratos fraudulentos, mas também permite a recuperação de prejuízos e a proteção da reputação da operadora. “Para que isso ocorra, é essencial que haja uma produção de provas robustas, legitimando as medidas adotadas e viabilizando ações como a apresentação de notícia-crime e a notificação ao COAF”, explica o advogado.

Beneficiários de boa-fé também são impactados

Um dos desafios enfrentados pelas operadoras é lidar com os beneficiários que, muitas vezes, são também vítimas do esquema. Como os dados fornecidos são falsificados, a empresa não consegue entrar em contato para informar sobre a rescisão do contrato, o que leva muitos usuários a registrar reclamações na ANS ou entrar com ações judiciais. “Isso nem sequer é possível nesses casos, pois os contratos são fraudulentos e as operadoras têm o dever de rescindi-los, para resguardo e proteção dos próprios beneficiários de boa-fé”, esclarece Machado.

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