Em março do ano anterior, uma criança faleceu durante um ensaio clínico de edição genética na China, com o caso só se tornando conhecido em julho deste ano, conforme reportado pelo SCMP.
A menina, que foi identificada apenas pelo nome de Mei, estava sendo submetida a um tratamento personalizado para corrigir uma mutação genética relacionada a um distúrbio no desenvolvimento neurológico e morreu poucos dias após o procedimento.
Uma investigação que foi revelada em 23 de julho destacou falhas significativas na avaliação dos riscos envolvidos, na transparência do processo e na supervisão institucional referente ao caso.
Esse incidente reacende o debate sobre os limites éticos da biotecnologia avançada, especialmente quando se trata de crianças e tecnologias que ainda estão em fase experimental. A edição genética utilizando CRISPR, apesar de sua promessa de oferecer tratamentos para doenças até então incuráveis, ainda enfrenta sérios desafios relacionados à precisão, incluindo as chamadas mutações indesejadas.
Wang Haoran, CEO da Neoland Biosciences, expressou preocupação de que essa tragédia possa levar a um retrocesso nas regulamentações e prejudicar o sistema de pesquisa clínica na China. Ele admitiu a necessidade de implementar salvaguardas mais eficazes, mas argumentou que a flexibilidade regulatória tem sido crucial para o avanço do país em áreas inovadoras.
A China havia reforçado suas normas para pesquisas biomédicas aproximadamente três anos atrás, após o escândalo envolvendo He Jiankui em 2018. O biólogo foi responsável pela criação dos primeiros bebês geneticamente editados do mundo em desacordo com normas éticas e recebeu uma condenação criminal do governo chinês.
A morte de Mei, que permaneceu oculta por meses, levanta questionamentos sobre a transparência dentro do setor. Agora, a indústria de biotecnologia teme que as autoridades possam impor restrições que comprometam a agilidade regulatória que distingue a China dos Estados Unidos e da Europa neste campo.
