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  Tecnologia  Crise na indústria de baterias do Ocidente leva empresas a investirem em novas tecnologias
Tecnologia

Crise na indústria de baterias do Ocidente leva empresas a investirem em novas tecnologias

Diário do RecifeDiário do Recife—março 26, 20260
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A crise das baterias expõe o preço da desindustrialização e empurra o Ocidente para uma aposta desesperada na inteligência artificial.

A indústria de baterias no Ocidente entrou em zona crítica, e o alerta agora vem de dentro do próprio setor empresarial dos Estados Unidos.

Qichao Hu, diretor executivo da SES AI, afirmou que quase todas as empresas ocidentais de baterias estão mortas ou em processo de falência.

Diante desse quadro, a SES AI, sediada em Massachusetts, decidiu abandonar o desenvolvimento tradicional de baterias de lítio para concentrar esforços na descoberta de materiais com inteligência artificial.

A mudança de rota não é apenas empresarial, mas geopolítica. Ela revela o tamanho da dificuldade de Estados Unidos e Europa para competir com a estrutura produtiva e tecnológica construída pela China.

Enquanto os chineses consolidaram uma cadeia de suprimentos robusta, integrada e soberana, o Ocidente tenta recorrer à computação como atalho. A aposta é que algoritmos encontrem combinações químicas que a engenharia convencional não conseguiu entregar no tempo exigido pelo mercado.

O movimento também expõe uma fragilidade mais profunda no modelo de inovação ocidental. Depois de décadas de financeirização e desindustrialização, sobra capital para promessas digitais, mas falta base fabril para disputar a produção real.

A crise das baterias não pode ser lida como episódio isolado. Ela se conecta a uma transformação mais ampla no eixo da tecnologia mundial, com o avanço asiático e a perda relativa de protagonismo industrial por parte de Estados Unidos e Europa.

Para o Sul Global, o recado é direto. Quem não construir capacidade própria de pesquisa, processamento e manufatura continuará preso ao papel de fornecedor de matéria-prima e comprador de tecnologia cara.

No caso brasileiro, a lição é especialmente importante. Não basta exportar lítio bruto e assistir de longe à agregação de valor em outros países.

O país precisa transformar riqueza mineral em política industrial, pesquisa aplicada e soberania tecnológica. Sem isso, continuará ocupando a posição subordinada de sempre, mesmo em setores decisivos para a transição energética.

Esse debate ganha ainda mais peso num momento de instabilidade nos preços dos combustíveis fósseis. A volatilidade do petróleo, impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio, recoloca os veículos elétricos e o armazenamento de energia no centro da disputa econômica global.

Mas a transição energética não pode depender apenas de soluções de mercado produzidas no Norte Global. Infraestrutura própria, planejamento estatal e domínio tecnológico são condições básicas para que a mudança de matriz energética não reproduza dependências antigas com nova embalagem.

Ao mesmo tempo, o cerco político e judicial sobre as grandes empresas de tecnologia também avança nos Estados Unidos. Meta e YouTube foram multadas recentemente em seis milhões de dólares por projetarem produtos viciantes para jovens.

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A decisão pode abrir precedente internacional importante. Se a lógica prosperar, plataformas digitais terão mais dificuldade para tratar crianças e adolescentes como matéria-prima de modelos de negócio baseados em vício, retenção e publicidade.

A pressão sobre o setor tecnológico não se limita ao ambiente digital. Ela já alcança a infraestrutura física que sustenta a expansão da inteligência artificial.

O senador Bernie Sanders apresentou um projeto de lei para interromper a construção de novos centros de dados por causa do enorme consumo de energia dessas instalações. A proposta joga luz sobre um problema frequentemente escondido sob o brilho da inovação: a computação em nuvem tem custo material, climático e energético muito concreto.

Essa discussão interessa diretamente ao Sul Global. Países em desenvolvimento não podem importar, sem crítica, um modelo tecnológico que concentra poder, drena eletricidade e amplia impactos ambientais sem contrapartida social equivalente.

Outro sinal de alerta veio do Google no campo da segurança digital. A empresa prevê que computadores quânticos poderão quebrar as proteções criptográficas atuais até 2029.

Se essa projeção se confirmar, a soberania de dados de Estados e empresas entrará numa fase de vulnerabilidade inédita. Informações financeiras, industriais, diplomáticas e militares poderão ser expostas por uma ruptura tecnológica de escala global.

Por isso, o tema não é futurismo abstrato. Brasil e parceiros do BRICS têm interesse estratégico em acelerar pesquisa, formação de quadros e desenvolvimento de tecnologias quânticas próprias para proteger dados sensíveis e reduzir dependência externa.

A disputa pela supremacia quântica já se desenha como novo campo de batalha geopolítico. Quem dominar essa capacidade terá vantagem decisiva no acesso a segredos industriais, comunicações protegidas e sistemas críticos de adversários.

Em meio a esse cenário de crise industrial e corrida tecnológica, a ciência também busca caminhos mais promissores. A startup Axiom Math lançou uma ferramenta de inteligência artificial voltada à descoberta de padrões matemáticos inéditos.

A proposta é usar máquinas para enfrentar problemas que a mente humana ainda não conseguiu resolver. Trata-se de uma aplicação que aponta para um uso mais nobre da tecnologia, orientado ao avanço do conhecimento e não apenas à captura de mercado.

Ainda assim, convém evitar ingenuidades. Inovação nunca é neutra, porque sempre carrega os interesses econômicos e políticos de quem financia, regula e controla sua aplicação.

O mesmo vale para experiências mais radicais defendidas por setores do capital tecnológico. Entusiastas em Rhode Island planejam criar estados independentes para testes de longevidade em zonas desregulamentadas, numa tentativa de escapar ao rigor das agências de saúde e das leis públicas.

Esse tipo de iniciativa mostra até onde pode ir a lógica privatista quando não encontra limites institucionais. Sem Estado forte, tecnologia vira instrumento de exclusão, de experimento social e de fuga das responsabilidades democráticas.

Para o Brasil, a conclusão é clara. O desenvolvimento tecnológico precisa estar subordinado a um projeto nacional, com soberania, regulação, interesse público e compromisso social.

A multipolaridade abre uma janela rara de escolha estratégica. A cooperação com a China e com outros países do Sul Global em setores de ponta pode ajudar o país a escapar da dependência histórica imposta pelo imperialismo tecnológico.

No fim das contas, a crise das baterias no Ocidente é menos um acidente e mais um sintoma. Ela revela o esgotamento de um modelo que trocou produção por especulação e agora tenta usar algoritmos para remediar o que deixou apodrecer nas fábricas.

O futuro não será de quem fizer mais propaganda sobre inovação. Será de quem conseguir unir ciência, indústria, energia e soberania numa mesma estratégia de desenvolvimento.

Curadoria: Augusto Gomes | Redação: Augusto Gomes | Revisão: Afonso Santos

#ChinaEUAEnergiaEstados UnidosInteligência ArtificialnewsTecnologia
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