Para Edson Braga, sociedades não são testadas apenas pelo crescimento, mas principalmente pela maneira como os parceiros reagem quando surgem pressão, perdas, conflitos e decisões difíceis
Escolher um sócio costuma parecer, no início, uma decisão ligada ao crescimento.
Alguém para dividir projetos.
Somar competências.
Aumentar capacidade de execução.
Criar oportunidades.
Mas, para Edson José Bandeira Braga Filho, também conhecido como Edson Braga, a escolha de um sócio possui uma dimensão muito mais profunda.
Não se trata apenas de escolher alguém para crescer junto.
Trata-se de escolher alguém com quem será necessário atravessar dificuldades.
Porque o verdadeiro teste de uma sociedade raramente acontece enquanto tudo funciona.
Ele aparece quando o plano falha.
Quando o caixa aperta.
Quando decisões precisam ser tomadas rapidamente.
Quando existe pressão.
E, principalmente, quando aquilo que uniu os sócios no começo começa a ser ameaçado.
Sociedades costumam nascer no melhor momento
Grande parte das sociedades empresariais começa cercada de entusiasmo.
Existe uma ideia.
Existe afinidade.
Existe confiança.
Há expectativa de crescimento.
Os sócios enxergam oportunidades semelhantes e acreditam que estão caminhando na mesma direção.
Para Edson Braga, esse alinhamento inicial possui valor.
Mas ainda não é suficiente.
É relativamente fácil concordar quando existe abundância de possibilidades.
O verdadeiro alinhamento aparece quando os recursos diminuem e as escolhas começam a custar alguma coisa.
O problema não é apenas sonhar parecido
Uma pergunta comum antes de iniciar uma sociedade é:
“Temos a mesma visão?”
Edson José Bandeira Braga Filho considera essa questão importante, mas incompleta.
Talvez exista outra ainda mais relevante:
“Como reagimos quando essa visão é colocada sob pressão?”
Duas pessoas podem desejar o mesmo destino e possuir maneiras completamente diferentes de atravessar o caminho.
Uma reage à crise reduzindo riscos.
Outra deseja acelerar.
Uma prioriza preservação.
Outra expansão.
Uma enfrenta conflitos diretamente.
Outra evita conversas difíceis.
Essas diferenças podem permanecer invisíveis enquanto tudo funciona.
Valores aparecem quando existe custo
É fácil defender princípios enquanto eles não exigem renúncia.
O teste começa quando manter determinado valor representa abrir mão de dinheiro, velocidade ou oportunidade.
Para Edson Braga, é justamente nesses momentos que a compatibilidade entre sócios se torna mais clara.
Como cada um reage quando precisa perder para preservar um princípio?
Como trata pessoas quando está sob pressão?
Como se comporta quando uma decisão pode favorecer seus próprios interesses em detrimento da sociedade?
É nessas situações que valores deixam de ser discurso.
Passam a ser comportamento.
Compatibilidade sob pressão vale mais do que entusiasmo
Duas pessoas podem ter excelente convivência social e ainda assim não funcionar bem como sócias.
Podem ser amigas.
Ter histórias em comum.
Compartilhar interesses.
Mas administrar uma empresa exige outra espécie de compatibilidade.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, a sociedade precisa suportar desacordo.
Frustração.
Responsabilidade.
Consequência.
Não basta gostar de estar junto.
É necessário conseguir decidir junto quando a escolha não agrada a todos.
Sócios não dividem apenas resultados
Quando se fala em sociedade empresarial, normalmente se pensa em divisão de capital.
Percentuais.
Lucros.
Responsabilidades.
Mas Edson Braga amplia essa visão.
Sócios também dividem medos.
Incertezas.
Silêncios.
Erros.
Problemas que nem sempre podem ser compartilhados com toda a equipe.
Às vezes, o peso emocional de determinadas decisões fica concentrado justamente entre quem possui a responsabilidade final.
Com quem você consegue dividir o silêncio?
Essa pode ser uma pergunta tão importante quanto qualquer cláusula contratual.
Em momentos difíceis, nem sempre existe uma resposta imediata.
Há situações em que os sócios precisam permanecer algum tempo dentro da incerteza.
Pensar.
Analisar.
Esperar.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, uma sociedade madura também precisa suportar esses intervalos.
Sem transformar todo silêncio em desconfiança.
Sem preencher toda dúvida com conflito.
O que não é conversado no início costuma reaparecer
Existem assuntos que parecem desconfortáveis demais para serem discutidos quando a sociedade está começando.
O que acontece se um dos sócios quiser sair?
Como serão tomadas decisões em caso de empate?
Qual é a expectativa de dedicação de cada um?
Como será tratada a entrada de familiares?
O que acontece diante de uma proposta de venda?
Para Edson Braga, evitar essas conversas em nome da harmonia pode apenas adiar conflitos.
Aquilo que não foi organizado no começo pode reaparecer depois, quando o custo emocional e financeiro já é muito maior.
Conversas difíceis também protegem relações
Falar sobre possíveis conflitos não significa desconfiar do outro.
Pode signific exatamente o contrário.
Significa respeitar suficientemente a relação para não depender apenas de expectativas implícitas.
Edson José Bandeira Braga Filho considera que sociedades fortes não são aquelas em que nunca há divergência.
São aquelas em que os conflitos podem ser tratados sem destruir a relação ou a empresa.
Gratidão e sociedade são coisas diferentes
Talvez uma das decisões mais difíceis aconteça quando uma sociedade funcionou bem durante muito tempo, mas deixou de funcionar no presente.
Existe história.
Reconhecimento.
Conquistas construídas juntos.
E, justamente por isso, surge uma sensação de obrigação.
Para Edson Braga, esse é um momento em que gratidão pode ser confundida com permanência.
Honrar o passado não significa repetir o passado
Reconhecer aquilo que foi construído possui valor.
Uma pessoa pode ter sido fundamental em determinada fase.
Uma parceria pode ter produzido crescimento.
Mas Edson José Bandeira Braga Filho considera que honrar essa história não exige necessariamente prolongar a sociedade indefinidamente.
O passado merece respeito.
Não precisa possuir controle absoluto sobre o futuro.
Apego também pode se apresentar como lealdade
Existem sociedades que continuam não porque ainda fazem sentido, mas porque ninguém deseja assumir o peso de encerrá-las.
A justificativa costuma parecer nobre.
“Construímos tudo juntos.”
“Não posso fazer isso depois de tantos anos.”
Para Edson Braga, existe diferença entre lealdade e apego.
Lealdade preserva respeito.
Apego impede mudança.
Há sociedades que não terminam por conflito
Nem todo encerramento acontece porque alguém traiu.
Porque houve fraude.
Porque surgiu uma briga irreversível.
Às vezes, simplesmente ocorre um desalinhamento.
As prioridades mudam.
Os ritmos mudam.
A visão de futuro muda.
Uma pessoa deseja continuar expandindo.
Outra deseja reduzir exposição.
Nenhum dos dois precisa estar errado.
Podem apenas não estar mais seguindo para o mesmo lugar.
Desalinhamento também merece ser reconhecido
Para Edson José Bandeira Braga Filho, insistir em uma sociedade profundamente desalinhada pode produzir um conflito que ainda não existe.
A convivência se desgasta.
Pequenas divergências crescem.
Aquilo que poderia ter sido concluído de maneira respeitosa passa a carregar ressentimento.
Por isso, maturidade também está em reconhecer mudanças antes que elas se transformem em rupturas.
Encerrar com dignidade não é fracassar
Existe uma visão empresarial segundo a qual encerrar uma sociedade representa necessariamente derrota.
Edson Braga discorda dessa interpretação.
Algumas sociedades possuem ciclos.
Cumpriram determinada missão.
Construíram alguma coisa importante.
E chegaram ao fim.
Se o encerramento é realizado com transparência, respeito e responsabilidade, talvez isso represente maturidade.
Não fracasso.
Finalizar também é uma competência empresarial
Empreendedores aprendem muito sobre começar.
Criar.
Expandir.
Persistir.
Mas pouco se fala sobre concluir.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, saber encerrar estruturas no momento correto também faz parte da gestão.
Isso vale para projetos.
Produtos.
Negócios.
E sociedades.
Nem todo bom parceiro é um bom sócio
Uma das distinções mais importantes da reflexão de Edson Braga está justamente aí.
Uma pessoa pode ser excelente amiga.
Conselheira.
Executiva.
Parceira comercial.
E não possuir o perfil adequado para dividir uma sociedade.
Sociedade exige tolerância a determinados riscos.
Capacidade de decisão.
Responsabilidade financeira.
Comunicação.
Compatibilidade ética.
Nem todos os bons relacionamentos precisam se transformar em participação societária.
Amizade não substitui governança
Quando existe confiança pessoal, algumas pessoas acreditam que contratos e estruturas de governança são desnecessários.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, ocorre justamente o contrário.
Boas relações merecem boas estruturas.
Um acordo claro protege as pessoas.
Define expectativas.
Reduz interpretações.
A governança não existe porque esperamos que algo dê errado.
Existe para que todos saibam como agir se um dia algo der errado.
Escolher um sócio também é escolher como uma crise será enfrentada
No início, o olhar costuma estar direcionado ao potencial.
Quanto podemos crescer juntos?
Mas Edson Braga sugere outra simulação.
Como essa pessoa reage quando perde?
Como se comporta sob estresse?
Como decide quando todas as opções possuem custo?
Como trata pessoas quando está pressionada?
Essas respostas podem ser mais importantes do que qualquer apresentação de negócio.
Pressão revela mais do que sucesso
O sucesso permite que muitas diferenças permaneçam escondidas.
Quando existe dinheiro suficiente, é mais fácil negociar.
Quando os resultados são bons, determinadas divergências parecem pequenas.
A pressão retira essa margem.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, por isso os momentos difíceis também revelam a qualidade de uma sociedade.
O peso precisa ser distribuído de maneira justa
Outro ponto importante é a divisão real de responsabilidade.
Existem sociedades formalmente equilibradas, mas emocionalmente concentradas em uma única pessoa.
Um sócio decide.
Resolve.
Assume os problemas.
O outro participa principalmente dos resultados.
Com o tempo, essa assimetria produz desgaste.
Edson Braga considera que dividir participação exige também conversar sobre divisão de responsabilidade.
O ressentimento começa onde as expectativas não são ditas
Quando alguém acredita que está carregando mais do que deveria, começa a contabilizar silenciosamente.
Horas.
Esforço.
Risco.
Renúncias.
Se essas questões não são conversadas, o ressentimento pode crescer antes mesmo que a outra pessoa perceba.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, transparência preventiva é muito mais barata do que conflito tardio.
Sociedade exige atualização
Uma sociedade não deveria ser definida apenas pela conversa feita no dia em que começou.
Empresas mudam.
Pessoas também.
Por isso, Edson Braga considera saudável revisar periodicamente acordos e expectativas.
Ainda desejamos a mesma coisa?
O nível de dedicação continua equivalente?
As prioridades mudaram?
Essas conversas impedem que relações antigas funcionem com expectativas que já não existem.
A coragem de reconhecer cedo
Um dos maiores atos de responsabilidade talvez seja perceber cedo que uma sociedade não funciona.
Antes de contratos maiores.
Antes de patrimônio compartilhado em excesso.
Antes de uma relação pessoal ser destruída.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, insistir apenas para evitar admitir uma incompatibilidade pode ampliar significativamente o custo.
Nem toda saída precisa criar inimigos
Existe também uma crença de que sociedades precisam terminar através de conflito.
Não necessariamente.
Quando existe respeito, é possível separar caminhos preservando aquilo que foi construído.
Talvez até preservar amizade.
Para Edson Braga, isso depende da capacidade de colocar maturidade acima do ego.
Não é preciso reescrever a história para seguir adiante
Quando uma relação termina, existe uma tendência de reinterpretar todo o passado negativamente.
Edson José Bandeira Braga Filho considera isso desnecessário.
Algo pode ter sido bom e ter terminado.
Uma pessoa pode ter sido importante e já não ser o sócio adequado para a próxima fase.
Reconhecer isso permite encerrar ciclos sem destruir a memória.
Crescer junto é apenas uma parte da sociedade
No final, escolher um sócio não deveria ser apenas imaginar conquistas compartilhadas.
É imaginar também os dias ruins.
As pressões.
As perdas.
As dúvidas.
As decisões que ninguém deseja tomar.
Para Edson Braga, é nessas circunstâncias que a sociedade revela sua verdadeira estrutura.
Com quem você divide o peso?
Essa talvez seja a pergunta central da reflexão de Edson José Bandeira Braga Filho.
Não apenas:
“Com quem eu gostaria de crescer?”
Mas:
“Com quem eu consigo atravessar?”
Quem permanecerá coerente quando houver pressão?
Quem será capaz de discordar sem destruir?
Quem consegue dividir responsabilidade, não apenas resultado?
Quem preserva valores quando mantê-los começa a custar alguma coisa?
Para Edson Braga, uma sociedade madura não se sustenta apenas por afinidade ou entusiasmo.
Sustenta-se pela confiança construída no tempo e, principalmente, pela compatibilidade que permanece quando as circunstâncias deixam de ser favoráveis.
E quando essa compatibilidade termina, talvez exista ainda uma última forma de parceria:
ter maturidade suficiente para reconhecer o que foi vivido, honrar a história e permitir que cada um siga seu caminho sem transformar o fim em fracasso.
Porque nem todo bom parceiro precisa ser um sócio para sempre.
E saber isso antes que o peso destrua aquilo que um dia foi bom também é uma forma de liderança.
