Uma investigação foi iniciada pelo FBI sobre a contratação de um especialista em tecnologia da Coreia do Norte por uma agência do governo dos Estados Unidos. A confirmação desse incidente foi divulgada durante uma conferência de segurança que ocorreu em julho, conforme informou um alto funcionário da instituição.
Esse caso evidencia uma falha incomum nos protocolos de segurança das instituições governamentais americanas, especialmente no que diz respeito a cidadãos que estão sob sanções internacionais. Até o momento, não foram fornecidos detalhes sobre qual órgão foi envolvido nem se houve comprometimento de dados ou desvio de recursos públicos.
Um grande número de profissionais de tecnologia da informação da Coreia do Norte conquista oportunidades de trabalho remoto em empresas ocidentais utilizando identidades falsas e tecnologias de inteligência artificial para simular presença em outros países. A Organização das Nações Unidas estima que esses trabalhadores remotos proporcionam ao regime norte-coreano uma receita anual entre US$ 250 milhões e US$ 600 milhões, valores utilizados para financiar programas nucleares e militares.
Além de transferir os salários para o governo, esses trabalhadores infiltrados têm acesso às redes internas das organizações contratantes, o que lhes permite roubar propriedade intelectual e extorquir essas entidades. A inteligência dos Estados Unidos tem atuado contra redes de suporte localizadas na China e na Rússia, além de intermediários dentro do território americano.
A violação das estruturas estatais acontece apesar das rigorosas normas de verificação de antecedentes exigidas para órgãos públicos. Em 2024, o Departamento de Justiça dos EUA denunciou um residente de Maryland por ter auxiliado um hacker norte-coreano a se passar por cidadão americano para prestar serviços à Administração Federal de Aviação.
Devido às sanções que o impedem de acessar o sistema financeiro internacional, o governo liderado por Kim Jong Un recorre a roubos cibernéticos e fraudes de identidade como formas alternativas para garantir sua arrecadação. Dados provenientes de empresas especializadas apontam que a Coreia do Norte foi responsável por 76% dos roubos globais de criptomoedas em 2025, movimentando ilegalmente pelo menos US$ 2 bilhões. O maior golpe até hoje aconteceu em fevereiro deste ano contra a exchange Bybit, resultando em um prejuízo estimado em US$ 1,4 bilhão, atribuído pelas autoridades norte-americanas ao regime de Pyongyang.
