A Dabi Atlante, parte da multinacional Alliage, lançou o Eagle Scan, o primeiro scanner intraoral totalmente fabricado no Brasil. Este dispositivo será incluído em kits de odontologia digital que atenderão 350 cidades do Sistema Único de Saúde (SUS). O equipamento substitui os tradicionais moldes dentários por um escaneamento intraoral de alta precisão, que é complementado pela impressão 3D. Essa inovação está alinhada com a estratégia do Ministério da Saúde de acelerar a produção de próteses na rede pública.
A digitalização dos processos protéticos representa uma das iniciativas da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS) para aumentar o acesso a próteses dentárias pelo SUS. Desde o ano de 2025, o ministério tem selecionado municípios para receber kits que incluem scanner intraoral, impressora 3D, computadores e insumos. Esse modelo já foi implementado em cidades como Caxias do Sul (RS), Varginha (MG) e Ponta Grossa (PR), com planos de uma expansão em nível nacional no decorrer de 2026, conforme informações do Conselho Federal de Odontologia (CFO).
Antes do surgimento do Eagle Scan, a maioria dos scanners intraorais disponíveis no Brasil era importada. Agora, este novo equipamento preenche essa lacuna, sendo totalmente produzido na unidade da Alliage localizada em Ribeirão Preto (SP).
De acordo com a empresa, o Eagle Scan consegue escanear um arco dentário completo em menos de um minuto, gerando modelos digitais com precisão milimétrica que são enviados diretamente para softwares de planejamento odontológico e impressoras 3D. A tecnologia incorporada ao aparelho, denominada FLOW AI, reconhece automaticamente estruturas indesejadas — como língua e bochechas — focando apenas nas áreas relevantes durante a captura, o que aprimora o fluxo clínico.
Marco Candolo, Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Alliage, comenta: “Transformamos um procedimento que antes envolvia moldagens desconfortáveis e várias etapas clínicas em um fluxo mais ágil e confortável. O escaneamento intraoral aumenta a eficiência dos tratamentos e melhora significativamente a experiência dos pacientes.”
No total, 500 unidades do Eagle Scan serão disponibilizadas para atendimentos odontológicos no SUS em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. Atualmente, 12 desses dispositivos já estão em funcionamento — dez no Rio de Janeiro e dois em Uberlândia (MG). Os kits distribuídos pelo Ministério da Saúde também incluem impressoras 3D, computadores e materiais especializados para os procedimentos digitais.
O equipamento é capaz de realizar o escaneamento bucal em poucos segundos, capturando imagens detalhadas que resultam em modelos digitais com alta precisão.
Mateus Taveira, Gerente Global de Customer Experience da Alliage, destaca as vantagens operacionais da produção nacional: “O Eagle Scan proporciona uma assistência técnica mais eficaz com cobertura nacional e suporte direto da fábrica. Isso reduz o tempo de resposta e oferece maior segurança aos profissionais. Além disso, temos controle total sobre hardware e software do produto, assegurando melhorias contínuas e maior disponibilidade de peças.”
O aparelho já está disponível também na Argentina e nos Estados Unidos. Com sede em Ribeirão Preto e fundada em 1946, a Alliage opera em mais de 50 países e conta com uma equipe dedicada exclusivamente à Pesquisa & Desenvolvimento.
Camila Tirapelli, professora na Faculdade de Odontologia da USP em Ribeirão Preto (FORP-USP) e responsável pelos treinamentos do equipamento em São Paulo, ressalta que o desenvolvimento local vai além do próprio dispositivo: “Projetos nacionais voltados para tecnologias digitais contribuem para a evolução do setor como um todo. O avanço local estimula pesquisas aplicadas e facilita a adoção dessas ferramentas pelos profissionais brasileiros. A presença dessas tecnologias nas instituições públicas também melhora a formação dos futuros profissionais na odontologia digital.”
Denis Dutra, CEO da Alliage International, sintetiza a importância estratégica desse lançamento: “A criação de um scanner intraoral inteiramente desenvolvido e fabricado no Brasil demonstra a capacidade da indústria nacional em fornecer tecnologia avançada para um setor cada vez mais digitalizado e crucial para a saúde.”
