O estado do Rio Grande do Sul autorizou a abertura de leitos pediátricos em 45 hospitais como parte do Programa Inverno Gaúcho com Saúde 2026, voltado para o tratamento da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). A decisão foi oficializada por meio de uma portaria publicada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) no dia 8 de maio e representa a etapa inicial de um plano que prevê a criação de 604 leitos estaduais durante os períodos críticos de circulação de vírus respiratórios.
Com um investimento total de R$ 15,6 milhões provenientes do governo estadual, a iniciativa irá financiar, ao longo de três meses, 106 leitos pediátricos — que incluem tanto Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) pediátricas quanto leitos de suporte ventilatório pulmonar — distribuídos em diversas macrorregiões do estado. Os recursos serão transferidos em parcelas mensais, as quais estão condicionadas à real disponibilização das vagas no sistema regulatório do SUS.
Distribuição regionalizada em sete macrorregiões
Os novos leitos estarão disponíveis em unidades localizadas nas regiões Metropolitana, Serra, Vales, Norte, Sul, Centro-Oeste e Missioneira. Na capital e nas áreas circunvizinhas, destacam-se instituições como a Santa Casa de Porto Alegre, o Hospital Presidente Vargas e o Instituto de Cardiologia. No interior do estado, cidades como Caxias do Sul, Passo Fundo, Pelotas, Santa Cruz do Sul e Uruguaiana também farão parte dessa rede ampliada.
Marcelo Reidel, diretor do Departamento de Gestão da Atenção Especializada da SES, destacou que a proximidade entre os hospitais pediátricos foi um dos critérios técnicos utilizados na distribuição dos leitos – uma estratégia para assegurar que cada criança possa receber atendimento no tempo necessário.
Além disso, o programa contempla a habilitação de 1.277 leitos federais, cuja implementação dependerá da avaliação técnica realizada pelo Ministério da Saúde e da disponibilidade orçamentária.
Suporte à rede através da Telemedicina Pediátrica
O Programa Inverno Gaúcho com Saúde também inclui um serviço de Telemedicina Pediátrica que é gerenciado pelo Departamento de Regulação Estadual (DRE). Este serviço foi antecipado para iniciar em 2026 e conecta especialistas médicos a equipes de hospitais menores, unidades de pronto atendimento e UTIs neonatais, visando orientar práticas clínicas e evitar transferências desnecessárias para unidades mais complexas.
Essa abordagem tem um efeito positivo na gestão dos recursos hospitalares: ao aprimorar o atendimento nas unidades iniciais, o suporte remoto ajuda a reservar os leitos intensivos para os casos que realmente necessitam de cuidados críticos.
Para Lisiane Fagundes, secretária envolvida no projeto, essa iniciativa combina ampliação da capacidade hospitalar com melhorias na assistência ao paciente. Ela argumenta que a união entre a abertura de novos leitos e os serviços de telemedicina cria uma resposta coordenada e descentralizada para lidar com o período mais crítico para as crianças.
O modelo implementado no Rio Grande do Sul — que combina a criação temporária e extraordinária dos leitos com suporte tecnológico — pode servir como exemplo para outros estados que enfrentam desafios similares nas suas redes públicas de saúde durante períodos sazonais.
Matéria elaborada com base em informações da Secretaria de Estado da Saúde do Rio Grande do Sul.
