Cientistas da Universidade de Fudan, localizada em Xangai, desenvolveram um inovador chip de memória que consegue armazenar um bit de informação utilizando apenas um elétron, mesmo em temperatura ambiente, conforme reportado pelo SCMP.
Conhecido como Guiyi, o dispositivo foi apresentado na revista Science em 16 de julho e representa uma redução impressionante de 200 mil vezes na quantidade de partículas necessária para manter dados estáveis.
Esse feito atinge o limite teórico estabelecido pela física dos semicondutores, considerado há muito tempo o “santo graal” do campo.
Os mais avançados chips de memória da Samsung e SK Hynix precisam de aproximadamente 200 mil elétrons para assegurar que os valores “1” ou “0” não sejam afetados por ruídos elétricos. Em contraste, o Guiyi reduz essa necessidade ao limite permitido pela física.
Comandada pelo professor Zhou Peng, especialista em microeletrônica, a equipe criou um circuito que consegue amplificar um sinal que varia entre dezenas de milivolts até 0,5 volt. Esse ganho é dez vezes superior ao alcançado em tentativas anteriores com elétrons isolados. O principal desafio técnico superado foi garantir a estabilidade desse sinal em temperatura ambiente.
A principal consequência desse avanço é a viabilidade de executar modelos de linguagem complexos diretamente em smartphones, consumindo uma quantidade mínima de energia. O armazenamento e o consumo energético sempre foram os principais obstáculos à implementação da inteligência artificial em dispositivos móveis.
Este progresso ocorre em um contexto onde a China intensifica seus esforços para se tornar independente na produção de semicondutores, especialmente diante das restrições impostas pelos Estados Unidos ao fornecimento de chips avançados e equipamentos para litografia. Se a tecnologia do Guiyi for capaz de ser escalada para produção em larga escala, ela pode transformar completamente a arquitetura de memória no setor de inteligência artificial.
