No dia 2 de outubro de 2026, Michael Thomas, um consumidor residente em Illinois, entrou com uma ação judicial contra a rede McDonald’s nos Estados Unidos. Ele alega que a empresa utiliza inteligência artificial (IA) para sincronizar os preços junto a franqueados independentes.
A demanda judicial solicita autorização para representar potencialmente milhões de consumidores em território americano. O cerne da acusação é que os algoritmos estariam interferindo nas decisões de preços que deveriam ser tomadas individualmente por cada franqueado.
O processo detalha um sistema que opera com dados não públicos e tem a capacidade de analisar diariamente milhões de transações em quase 14 mil restaurantes espalhados pelos Estados Unidos. A rede fast-food refuta essas alegações.
Um algoritmo abrangente
Esse mecanismo utiliza aprendizado de máquina para monitorar continuamente o desempenho das vendas. A partir dessa vasta quantidade de informações, são geradas recomendações de preços para estabelecimentos operados por distintos proprietários.
“Franqueados independentes devem estabelecer seus preços sem influência externa”, diz o texto da ação. A acusação se fundamenta nas leis antitruste dos EUA, que proíbem acordos sobre preços entre concorrentes.
Os autores do processo argumentam que o compartilhamento de informações competitivas através da mesma plataforma é equivalente a uma conversa proibida entre concorrentes.
Lark Turner, advogado que representa Thomas, alegou que a empresa estaria utilizando o volume de dados gerado pela operação e seu sistema de franquias para aumentar os preços cobrados dos consumidores.
McDonald’s rejeita controle sobre preços
No dia 5 de outubro, o McDonald’s divulgou um comunicado considerando as alegações como especulativas e baseadas em dados insuficientes. “A IA não determina o preço de um Big Mac ou qualquer outro item do nosso cardápio”, afirmou a empresa.
A defesa sustenta que cada franqueado é responsável por definir seus próprios preços. Além disso, destacou que ferramentas analíticas e de recomendação são amplamente adotadas em diversos setores do mercado.
A existência da ferramenta em si não está sendo contestada. De acordo com informações veiculadas pela Reuters, redes de fast-food têm utilizado IA para auxiliar na definição de preços, e a questão levantada no caso é o impacto quando uma mesma recomendação é aplicada simultaneamente a milhares de lojas.
A linha tênue entre recomendação e conluio
Essa ação se junta a um número crescente de processos coletivos nos Estados Unidos contra empresas acusadas de empregar algoritmos para ajustar preços. Demandas anteriores já envolveram o setor hoteleiro e locação de imóveis.
Entre as questões que deverão ser analisadas durante o julgamento estão: o papel dos dados não públicos, o nível de autonomia dos franqueados frente às sugestões recebidas e os limites do uso de algoritmos quando negócios distintos precisam determinar preços por conta própria.
Nenhuma das alegações foi avaliada até o momento. A ação busca compensação financeira aos clientes e requer que a Justiça americana decida se um algoritmo que fornece recomendações simultâneas ainda permite decisões independentes por parte dos franqueados.
