A China está reformulando o equilíbrio de poder no setor de inteligência artificial, ao disponibilizar gratuitamente os parâmetros de seus modelos mais sofisticados, conforme informações do Canaltech.
A startup Moonshot AI lançou o Kimi K3, um sistema que promete competir em desempenho com as soluções americanas mais avançadas, oferecendo um custo de treinamento reduzido e acesso livre a seus pesos numéricos.
É importante ressaltar que isso não implica em um código totalmente aberto.
Um modelo com pesos abertos fornece apenas os parâmetros obtidos durante o treinamento, mantendo em sigilo dados, arquitetura e código. Apesar disso, desenvolvedores têm a liberdade de operar a IA em seus próprios servidores, adaptá-la e desenvolver novos produtos sem depender de plataformas como ChatGPT ou Gemini.
A Moonshot AI e a Alibaba, com sua linha de modelos Qwen, estão adotando uma estratégia bem planejada. A expansão do ecossistema em torno desses modelos aumenta as chances de se tornarem referência na indústria, enquanto a empresa continua gerando receita por meio de serviços de nuvem e infraestrutura.
O contexto geopolítico desempenha um papel crucial nesse cenário. Com as restrições impostas pelos EUA ao acesso da China a chips avançados, essa abordagem aberta permite que empresas chinesas continuem inovando e expandindo sua presença internacionalmente, apresentando-se como uma alternativa viável às soluções fechadas do Vale do Silício.
A resposta dos Estados Unidos revela divisões internas. Um grupo formado por 25 empresas, incluindo nomes como IBM, Microsoft, Meta, Nvidia e Perplexity, divulgou uma carta aberta solicitando que o governo americano não imponha limitações aos modelos com pesos abertos. No entanto, Google, OpenAI e Anthropic não se juntaram à iniciativa.
Embora Google e OpenAI tenham desenvolvido suas próprias versões de pesos abertos, como o Gemma, esses sistemas ainda são inferiores em comparação aos seus modelos mais potentes. A professora Chinmayi Sharma da Fordham Law School sugere que as grandes corporações americanas devem adotar uma estratégia mista: manter seus sistemas mais potentes sob sigilo enquanto liberam versões intermediárias para manter o interesse dos desenvolvedores.
Especialistas afirmam que as capacidades da China poderiam ser ainda mais impressionantes se não fossem as sanções e controles sobre a exportação de chips. Ao oferecer suas IAs gratuitamente, a China empurra os Estados Unidos a responderem dentro dos parâmetros estabelecidos por Pequim.
