Em 2025, a Novartis destinou R$ 145 milhões para pesquisas clínicas no Brasil, representando um crescimento de 45% em comparação ao ano anterior. Este investimento solidifica a posição do país como um dos principais focos para o desenvolvimento clínico da farmacêutica suíça em nível global. Com mais de 100 estudos em andamento e um aumento de 76% no seu portfólio nos últimos cinco anos, a empresa intensifica suas atividades em terapias inovadoras e avança na descentralização das pesquisas.
Importância dessa iniciativa
O crescimento significativo desse investimento demonstra uma mudança estrutural no panorama global da pesquisa clínica: nações com alta diversidade populacional, infraestrutura científica consolidada e regulamentação em evolução se tornam locais cada vez mais atrativos para estudos multicêntricos. Nesse contexto, o Brasil deixou de ser um ator secundário e agora ocupa uma posição de destaque — figura entre os dez principais mercados globais da Novartis e já participa de protocolos que envolvem tecnologias ainda não disponíveis no mercado.
Para os gestores e líderes do setor de saúde, essa movimentação indica o amadurecimento do ecossistema de pesquisa clínica no Brasil e abre portas para colaborações entre a indústria farmacêutica, instituições especializadas e o sistema público de saúde.
Diversidade no portfólio e inovações tecnológicas
Os mais de 100 estudos clínicos que a Novartis realiza no Brasil abrangem áreas como oncologia, imunologia, cardiologia, neurociências e hematologia. O portfólio também contempla pesquisas focadas em doenças que afetam fortemente populações vulneráveis — como doença falciforme, doença de Chagas e dengue — que têm sido historicamente negligenciadas nas inovações farmacêuticas globais.
No âmbito tecnológico, os protocolos atuais incluem terapias gênica, celular e radioligante, que requerem centros com alta qualificação técnica, laboratórios avançados e rigor regulatório. O fato de o Brasil já estar conduzindo estudos com essas abordagens representa um avanço significativo na maturidade do setor.
“A pesquisa clínica é crucial para desenvolver novas terapias e gerar evidências em diferentes populações. O Brasil possui uma base científica sólida, diversidade populacional e centros capacitados para participar de estudos complexos, aumentando sua importância no cenário internacional”, afirma André Sanches (FOTO), Diretor de Pesquisa Clínica da Novartis Brasil.
Descentralização como meio para equidade
Um dos maiores desafios enfrentados pela pesquisa clínica no Brasil é a concentração histórica dos centros nas regiões Sul e Sudeste. Esse desequilíbrio limita a inclusão de participantes diversos — principalmente das populações negras — afetando a representatividade dos dados coletados nas pesquisas.
A Novartis tem atuado ativamente para mitigar esse problema. Um exemplo disso é o programa realizado com centros de saúde nos estados do Amazonas, Pará e Amapá para um estudo sobre a doença de Chagas aguda. Essa iniciativa incluiu treinamentos presenciais e online, além de suporte técnico contínuo — um modelo cujo impacto vai além da pesquisa e fortalece o sistema assistencial local.
Atualmente, cerca de 2,4 mil pacientes estão participando de estudos clínicos promovidos pela Novartis no Brasil, ampliando o acesso a acompanhamento especializado e novas opções terapêuticas em regiões onde esses recursos são escassos.
“Expandir a diversidade na pesquisa clínica demanda planejamento cuidadoso, presença regional e fortalecimento das capacidades locais. Quando um centro está preparado para realizar estudos, os benefícios vão além da própria pesquisa: profissionais se qualificam, processos melhoram e o sistema de saúde se torna mais apto a atender à população. É por isso que afirmamos que pesquisa é também sinônimo de acesso”, ressalta Sanches.
Novo marco regulatório: perspectivas futuras
O crescimento nos investimentos ocorre concomitantemente com uma alteração significativa no ambiente regulatório brasileiro. A Lei nº 14.874/2024, que estabelece diretrizes para pesquisas envolvendo seres humanos no país, é vista pela companhia como um avanço rumo a maior previsibilidade para o setor.
Na perspectiva da Novartis, uma legislação mais robusta pode aumentar a competitividade do Brasil na atração de estudos multicêntricos internacionais — embora sua eficácia dependa da colaboração entre reguladores, centros de pesquisa, comitês éticos e a indústria.
“A nova legislação promove um ambiente mais previsível; contudo, seu impacto real depende da sinergia entre todos os envolvidos no ecossistema. O Brasil está bem posicionado para incrementar sua participação na pesquisa clínica global ao combinar diversidade populacional com capacidade científica e centros preparados para estudos complexos. O desafio é assegurar que esse progresso se traduza em benefícios concretos e equitativos para a população”, conclui Sanches.
