Uma equipe de cientistas da Universidade de Bristol, no Reino Unido, desenvolveu um sistema inovador de laser capaz de medir distâncias com uma precisão superior a um décimo de milímetro.
O grande feito dessa tecnologia é o fato de ter funcionado em plena luz do dia, em diferentes condições climáticas, tanto nas ruas quanto no campus universitário.
O estudo, que foi publicado na renomada revista Nature Communications, destaca o desafio de lidar com o ruído de fundo, causado pela luz solar e condições atmosféricas, que interferem nos sinais emitidos pelos lasers.
Para superar esse obstáculo, os cientistas se inspiraram no entrelaçamento tempo-energia, um fenômeno da física quântica. Mesmo sem usar luz quântica, eles conseguiram reproduzir suas características em um laser convencional, tornando o sistema mais robusto e viável para uso em larga escala.
O sistema foi capaz de medir com precisão a distância entre dois prédios separados por 155 metros, em apenas um décimo de segundo, sob a luz do sol e condições climáticas instáveis. Com resultados confiáveis em distâncias superiores a 400 metros, há a perspectiva de aplicação dessa tecnologia em diversos setores estratégicos, como monitoramento de infraestrutura e desenvolvimento de veículos autônomos.
No Brasil, onde a infraestrutura hídrica e a agricultura de precisão são fundamentais, tecnologias como essa poderiam ser essenciais para garantir a segurança de estruturas e impulsionar a produtividade no campo. Além disso, no campo espacial, a precisão das medições a longa distância é crucial para diversas aplicações, desde missões de exploração até comunicação entre estações terrestres e orbitais.
O desafio agora é ampliar o alcance e reduzir o tamanho dos componentes ópticos, visando tornar o equipamento mais compacto e fácil de transportar e instalar. Essa miniaturização é essencial para levar essa tecnologia inovadora para uso comercial e industrial.
Essa pesquisa destaca a crescente integração entre a física quântica e a tecnologia convencional, mostrando que é possível extrair benefícios práticos sem a necessidade de infraestruturas complexas. Iniciativas como essa demonstram que a inovação também pode surgir em universidades públicas, mostrando a capacidade e vontade de desenvolver tecnologias de ponta em outros países além dos tradicionais centros de pesquisa.
